Por dentro da Economia

Arilda Teixeira

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Civilidade e autocrítica: a receita para passar a economia brasileira a limpo

Por que misturar economia com civilidade? Porque o nó que deram na economia brasileira só desatará se a noção de civilidade imperar entre os brasileiros e impingir-lhes o desejo de reformular as bases institucionais do País sob os preceitos da coletividade.
E com autocrítica? Porque será necessário cumprir obrigações de cidadão, eleitor e contribuinte, sem tergiversar as regras da legislação; sem ser conivente ou omisso com o casuísmo e a hipocrisia.
E também reconhecer que o Brasil é um País pobre, e por isso ainda precisa trabalhar muito até expandir quantitativa e qualitativamente seu potencial produtivo, para ser capaz de elevar o seu nível de renda e as condições de vida da sociedade.
Neste momento a economia brasileira depara-se com um leque de desafios: crônico déficit fiscal público; iminente falência do sistema de previdência social; serviços públicos inadequados e insuficientes; deficiência estrutural; mercado de trabalho desqualificado; legislação trabalhista defasada; vícios clientelistas nas relações entre o público e o privado, e dentro das instituições públicas.
É preciso equaciona-los para recolocar o País e sua economia de pé. Mas, para isso, será preciso modificar parte da legislação em vigor que está desalinhada com os fundamentos do crescimento e sustentando as distorções que o trouxe a esse ponto.
É aí que entra a necessidade de um espírito de autocrítica e civilidade porque o que tem que ser feito é muito mais tomada de consciência sobre o que fazer, do que o desejo efetivo de fazer.
O Brasil precisa ter autocrítica para reconhecer:
  • os limites para atuação do Estado na economia;
  • os erros de política econômica;
  • as distorções do marco regulatório, por estar sendo desviado da orientação técnica e otimizadora da alocação de recursos, para atender a ideologias anacrônicas e apadrinhamentos políticos;
  • o excessivo protecionismo da economia brasileira que está impedindo-a de desenvolver competitividade para inserção externa;
  • o malefício da desigualdade socioeconômica que as concessões de privilégios trazem para o País;
  • que não temos uma política educacional.
E civilidade para:
  • agir com ética;
  • respeitar o dinheiro público;
  • aceitar mudanças na legislação que corrigirão as distorções sociais e econômicas do País;
  • executar um projeto de País que resulte em avanços econômicos, sociais e políticos.
Será necessário que a sociedade não apenas faça uma autocrítica do processo que trouxe o Brasil para onde ele está, mas também tenha censo de civilidade para apoiar as mudanças necessárias para retirá-lo daí, porque estarão em jogo decisões que vão mexer com direitos adquiridos de grupos não dominantes, mas influentes da sociedade brasileira, acostumados a tratamentos diferenciados, propiciados pelo fisiologismo, clientelismo e prevaricação, impregnados nos porões da república patrimonialista brasileira.
Serão o censo de civilidade e o comportamento ético que permitirão decisões que atendam às necessidades do País e não de grupos.
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