Por dentro da Economia

Arilda Teixeira

Economista e professora da Fucape
Por dentro da Economia

A Macroeconomia da corrupção no Brasil

Mais uma vez a sociedade depara-se com denúncias de corrupção nos porões da República do Brasil. Na primeira parte delas um corruptor descreve como se inseriu nesses porões comprando seus agentes corruptos, sempre prontos para prevaricar – ele só esqueceu-se de mencionar quanto essa inserção lhe facilitou acessos aos financiamentos do BNDES, subsidiados com o dinheiro público, decorrentes de uma operação questionável entre Tesouro Nacional e BNDES; nem o atalho que ela lhe deu para alcançar a escala e os lucros que colocaram sua empresa no patamar de maior empresa processadora de proteína animal do País – uma evidência de como a corrupção pode dar um drible nas regras de competição em mercados.
Reitera, portanto, a relação incestuosa entre agentes públicos e privados, para troca de favores mútuos, em prol de benefícios (financeiros) individuais para os envolvidos, à custa do dinheiro público. Na segunda parte, mostra o Chefe de Estado do País compactuando com esse corruptor sua estratégia para sustentar a corrupção.
Nenhuma novidade, a corrupção implantou-se no Brasil com o Estado Ibérico Patrimonialista no século XVI. São mais uma evidência de que a corrupção parece ter se alastrado nos setores público e privado do País.
Sem desconsiderar a gravidade política da situação, chamo atenção para o seu custo sobre a economia brasileira.
Se prevaricação e falta de decoro são a regra de comportamento dos agentes públicos brasileiros, as decisões do Estado não vêm sendo guiadas pelo objetivo de alcançar a eficiência alocativa necessária para prestar os serviços que a sociedade precisa. Então, elas estão desviando o Estado do cumprimento de seu papel.
O problema é que, quando o Estado não cumpre seu papel, ele produz uma distorção na economia que leva a instabilidades e inseguranças. Esse movimento desperta o comportamento de aversão ao risco do agente econômico que reduz o investimento produtivo, que geraria produção e empregos; que geraria rendas e consumos; que aumentaria a demanda que absorveria a produção gerada pelo investimento. Assim, os erros do Estado prejudicam a economia.
No Brasil, esses erros já produziram os seguintes indicadores macroeconômicos da corrupção:
1)Baixa qualidade dos serviços públicos;
2)Desequilíbrio (estrutural) das contas públicas;
3)Baixas taxas de crescimento econômico;
4)Baixo volume de investimento;
5)Mercado de trabalho precário;
6)Baixo grau de abertura da economia;
7)Baixo nível de renda;
8)Elevada concentração de renda.
Os fatos políticos recentes abalaram a credibilidade institucional do País e acirraram as incertezas sobre o futuro da economia brasileira. Isso porque a retomada do crescimento depende de mudanças estruturais, que dependem de alterações na legislação e, portanto, de aprovação do parlamento. Não há ambiente político para isso para se conduzir e aprovar essas alterações. Assim sendo, as incertezas presentes têm fôlego mais que suficientes para abortar a tênue recuperação econômica esboçada no primeiro trimestre, e nos levar novamente para uma recessão.
tags Por dentro da Economia; Arilda Teixeira; Macroeconomia; Corrupção; Brasil