Por dentro da Economia

Arilda Teixeira

Economista e professora da Fucape
Por dentro da Economia

Educação, valor agregado e crescimento econômico: uma relação de causa e efeito

Para calcular o crescimento da economia em um determinado período, os institutos de estatísticas utilizam o valor agregado de cada etapa da produção de bens e serviços. Com essa metodologia registra-se somente o que foi acrescentado, a riqueza que foi gerada. Quanto mais eficiente um processo de produção, maior sua produtividade e maior seu valor agregado. O que determina a eficiência é a qualidade dos insumos utilizados nesse processo. Dois, em especial, são cantados, como um mantra, pelos quatro cantos: tecnologia e mão de obra.
Vou juntá-los e denominar a dupla de “Conhecimento”. Porque tecnologia é desenvolvida pelo ser humano dotado de informações – vinda da educação - que lhe permite decidir e produzir. Portanto, atribuo à mão de obra o papel de ser o veículo que propaga agregação de valor na cadeia produtiva; e à educação, o de ser o combustível que a moverá.
Onde quero chegar com essa linha de discussão? Na Base Nacional Comum Curricular apresentada ao Conselho Nacional de Educação (CNE) no último dia 6 de abril - mais uma iniciativa correta, adequada e oportuna para equacionar a deficiência da educação básica no Brasil – que poderá se tornar a condição necessária para ampliar nossa capacidade de agregar valor nos processos produtivos.
Por quê? Para alertar que, para tornar a Base uma realidade será preciso executar suas proposições. É aí que mora o perigo: nada foi dito sobre como esse projeto será executado.
As evidências empíricas demonstram o pouco comprometimento do poder público deste País com a execução dos projetos – a situação a qual chegou a educação é uma evidência irrefutável desse (des)comprometimento. Executar a proposta da Base é crucial tanto para corrigir os vexatórios índices de pobreza e desigualdade que a educação deficiente propaga; quanto para viabilizar o desenvolvimento econômico. Por quê? Porque é da qualidade da educação que se produz um mercado de trabalho com mão de obra qualificada, que por sua vez é o veículo com conhecimento que leva ao progresso técnico, à produtividade, e à competitividade, que resultarão no desenvolvimento econômico do País. Esse resultado só virá se o projeto for executado.
As condições da economia brasileira impõem urgência para esse processo. As estatísticas sobre a produtividade de sua mão de obra informam que está estagnada ao nível dos anos 1980; no ranking de competitividade em capital humano da Insead está em 81ª posição (total de 118 países); enquanto a China está em 54ª, Russia 56ª; e África do Sul, 67%.
Para reverter esse quadro terá que melhorar a qualidade de sua mão de obra. Para isso precisa acertar a educação. Para este acerto é preciso mais do que confeccionar bases curriculares. É preciso utilizar instrumentos que controlem e garantam o cumprimento de suas metas; e outros que valorizem aqueles que cumprem suas obrigações e puna aqueles que não cumprem. Assim sendo, equacionar o problema da educação e do desenvolvimento econômico brasileiro dependerá da vontade política para fazer o que tem que ser feito. Sem proselitismo!
tags Por dentro da economia; Arilda Teixeira; Educação; Valor Agregado; Crescimento econômico
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